DIGA NÃO AO PL 257/2016

segunda-feira, 17 de junho de 2013

E daqui, pra onde vamos?

Hoje participei da manifestação que ocorreu em Belo Horizonte e sinto-me à vontade para dizer algo: Geraldo Alckmin conseguiu o que queria e entrou para a História do Brasil. Não como sonhava entrar, mas seu nome já está garantido ao menos como nota de rodapé nos livros didáticos.
Explico: até a noite de quinta-feira, 13 de junho, o movimento que ocorria pontualmente ao redor do Brasil em protesto ao aumento das passagens de ônibus era algo relativamente difuso, sem muito potencial para crescimento. Havia duas opções de desfecho: as passagens seriam reduzidas (como ocorreu em Porto Alegre) e tudo voltaria ao normal ou eventualmente a negativa das empresas e do governo deixaria claro que nada poderia ser feito quanto à questão. No entanto, a partir do instante em que Alckmin agiu como Alckmin (e Serra) e ordenou que a PM reprimisse a manifestação popular com força desproporcional, catalisou um processo que talvez levasse um tempo infinitamente maior para se cristalizar. Ninguém gosta de um bully – e o governo tucano, como já havia se mostrado em tantas outras ocasiões (com professores da rede pública, estudantes da USP, habitantes do Pinheirinhos e até mesmo com a Polícia Civil), não hesita em se entregar ao bullying sempre que questionado.
Desta vez, porém, Alckmin errou feio seu cálculo e criou um monstro que se espalhou por todo o país. A partir de quinta-feira, a questão definitivamente já não girava mais em torno de 20 centavos ou mesmo do transporte público livre; era uma questão de cidadania. E, como tal, deixou também de ser algo contra o governo tucano ou a prefeitura petista, passando a ser um grito de revolta generalizado, um berro de “chega!”.
Mas “chega” o quê?
E foi esta pergunta que vi tantos jovens se fazendo durante o manifesto em BH – mesmo que não percebessem o questionamento. Assim, voltei para casa feliz por testemunhar o despertar de uma juventude repleta de potencial, mas também inquieto por perceber claramente que ela não tem ainda uma ideia muito clara do que está fazendo ou de como prosseguir.
O que resulta numa combinação muito, muito perigosa.
(Aqui peço licença para um breve flashback pessoal para estabelecer por que me julgo detentor de certa experiência para discutir a questão: em 1992, depois de fundar e presidir por dois anos o grêmio do colégio no qual estudava – Promove Savassi -, fui eleito em assembleia estudantil como líder do movimento secundarista no Fora Collor. Como tal, participei da organização das manifestações em Belo Horizonte, discursei em carro de som na Praça da Liberdade e na Praça Sete e fui o rosto de meus colegas sempre que uma entrevista à imprensa era necessária – e certamente há fitas embaraçosas nas emissoras mineiras que trazem meu rosto moleque tentando parecer sério enquanto discute os motivos que tornavam necessária a saída do Presidente. Na época, fui um dos estrategistas do movimento em Minas, ajudando a decidir datas, locais e focos de protesto – e mais tarde presidiria o DA da faculdade até abandonar o movimento estudantil ao perceber que precisava me focar nos estudos. Não sou, portanto, um mero palpiteiro, creio eu. Fim do flashback.)
Ao caminhar entre a multidão de milhares de pessoas neste sábado, percebi duas coisas muito óbvias: uma imensa empolgação e uma preocupante falta de foco.
A primeira é fácil compreender: há anos a juventude não ia às ruas – e, como toda geração, eventualmente era inevitável que ela se questionasse acerca de sua própria revolução. A geração anterior teve o “Fora Collor!”; antes dessa, houve a luta contra a Ditadura. O que a geração pós-anos 90 tinha para protestar, porém? Quando e como poderia extravasar o impulso rebelde que faz parte do DNA jovem e que é algo tão belo e fundamental para o avanço da Humanidade?
Os últimos dias trouxeram esta oportunidade – e não é à toa que um jovem amigo pelo qual tenho imenso carinho me enviou uma mensagem por telefone na qual dizia, em parte, “estar em êxtase” após a passeata. Como não estaria? Lembro-me de meus dias de líder estudantil e ainda sinto o calor nostálgico da sensação de dever cumprido: como tantos antes de mim, eu estava deixando minha marca na História.
É um sentimento lindo, único, precioso. E sinto-me privilegiado por ter testemunhado o brilho que este trouxe aos olhos de tantos jovens hoje em Belo Horizonte. Eu olhava ao meu redor e via este êxtase em todos os rostos lisos que me cercavam – e sentia a vontade de abraçá-los com força e dizer: “Eu sei. É lindo, não é?”.
Sim, é lindo.
Mas eu também me sentia inquieto ao observar que, ao lado da euforia, havia uma clara dispersão de objetivos. Assim, puxei papo com vários jovens e observei atentamente os cartazes que carregavam.
“Pela humanização das prostitutas!”
“O corpo é meu! Legalizem o aborto!”
“Fora, Lacerda!”
“Viva o casamento gay!”
“Passe Livre já!”
“Passagem a 2,80 é assalto!”
“Pelo fim da PM no Brasil!”
“Cadê a Dilma da guerrilha?”
“Fuck you, PSTU!”
“Aécio NEVER!”
“Não à Copa no Brasil!”
E por aí afora. Era um festival desconjuntado de causas, ideologias e revoltas. Os cartazes tratavam dos sintomas, não da doença – e ao berrarem os sintomas pelas ruas de BH em vez de identificarem a patologia que os provocavam, aqueles jovens pareciam felizes, sim, mas também um pouco perdidos.
Passei a caminhar silencioso pela multidão. Sentia a energia gostosa, positiva, da ação juvenil, mas mergulhava cada vez mais em uma reflexão preocupada sobre o que via. Seria apenas um sinal dos tempos? Uma revolução do tempo das redes sociais, nas quais você pode “curtir” uma mensagem, uma causa, a cada segundo? Havia, sim, um componente de hiperlink até nos bordões cantados pela massa: um refrão sobre os ônibus levava a outro sobre a PM que levava a outro sobre a Copa que levava a outro sobre Lacerda que levava a outro sobre…
… sobre o quê?
Ao chegar em casa, manifestei esta dúvida no Twitter e alguns jovens imediatamente responderam: “Ninguém nos representa!” e “Sim, estamos contra tudo!”.
Mas “estar contra tudo” não é ideologia.
E sem ideologia não há movimento que se sustente. Ou, no mínimo, que se sustente de maneira consistente – o que abre espaço para a manipulação.
Foi isto, enfim, que me angustiou profundamente.
Vivemos em tempos perigosos: a direita religiosa se torna cada vez mais influente e as grandes empresas da mídia já perceberam que o PSDB não é uma oposição viável – e, assim, decidiram ser elas mesmas a Oposição. Não é à toa que, contradizendo todos os índices econômicos divulgados por órgãos independentes, a Globo, a Foxlha, a Veja e o Estadão vêm pintando um quadro de instabilidade crescente: inflação alta, dólar alto, PIB decrescente e por aí afora, pintando um país em crise que, sejamos honestos, não corresponde ao que vemos todos os dias nas ruas.
Enquanto isso, o aliado histórico dos movimentos populares, o PT, parece ter se esquecido de suas origens: tímido em sua resposta à brutalidade da PM, Haddad apenas embaraçou-se ao relativizar os excessos da polícia – e sua proposta de se reunir com as lideranças do movimento Passe Livre vem tardio, já que estas já não representam mais as massas na rua. Enquanto isso, Dilma é vaiada num estádio lotado por representar o poder – mesmo que, há pouco tempo, tenha oferecido subsídios justamente para diminuir as passagens de ônibus que, ironicamente, serviram como estopim da revolta.
Ora, se o PT não é visto mais como representante popular pelos manifestantes (e nem tem projeto que o aproxime da juventude) e o PSDB é claramente a mão pesada da repressão, para onde os jovens podem se voltar? Além disso, como não têm uma causa específica a defender, estes empolgados rapazes e moças criam um problema impossível, já que não há solução viável que os acalme. Como resultado, surge apenas um clima imponderável de insatisfação política generalizada – um clima complexo, intenso, raivoso e insolúvel.
É deste tipo de contexto que nascem os golpes.
E esta não seria uma solução que desagradaria os barões da mídia – lembrem-se das manchetes dO Globo pós-golpe em 64.
Claro que esta não é a única resolução possível para o quadro que se desenha. Uma revolução sem foco é uma revolução em busca de um líder, de um emblema, de uma figura messiânica. E não há, hoje, uma estrutura política mais equipada para preencher este vácuo que a direita religiosa.
A guinada reacionário-fascista, portanto, é uma possibilidade nada absurda para este movimento que nasce tão bem intencionado.
Isto, aliás, é que me deixa tão preocupado: os jovens que vi hoje na rua eram… lindos. Lindos. Felizes em seu papel democrático, acreditavam estar desempenhando uma função histórica fundamental. E estão. Mas se não surgir um foco para esta embrionária revolução, o perigo para que ela se desvirtue e seja cooptada pelo que temos de mais reacionário, conservador, atrasado e estúpido é real e imediato.
E veríamos, então, a destruição dos resultados trazidos por dez anos de um projeto político voltado de forma inédita para o crescimento social dos miseráveis. Ninguém duvida que, do ponto de vista social, o Brasil de 2013 seja infinitamente melhor que o de 2003. Mas se esta massa juvenil maravilhosa não encontrar o foco necessário, corremos um grande risco de regressarmos a 1993.
Foi isto, afinal, que me deixou tão triste após uma tarde de alegria ao lado daqueles admiráveis jovens.

Fonte: Diário de Bordo (Cinema em Cena)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

CTB EXIGE QUALIDADE E TRANSPARÊNCIA NO TRANSPORTE COLETIVO DE ITABUNA


A Central dos Trabalhadores do Brasil realizou manifestação na manhã desta quinta-feira (13), na Praça Adami, exigindo mais qualidade nos serviços oferecidos pelas empresas que exploram o transporte urbano na cidade, além de transparência nas licitações e controle social nas concessões, que atualmente têm duração de dez anos e terão seus contratos vencidos em 2014.
Abaixo, nota distribuída pela CTB:

POPULAÇÃO EXIGE: QUALIDADE E TRANSPARÊNCIA NO TRANSPORTE COLETIVO DE ITABUNA 

Diante do eminente aumento da tarifa do transporte coletivo em Itabuna, a CTB Regional Sul Bahia vem a público exigir mais qualidade nos serviços oferecidos por estas empresas. 

As empresas de transportes urbanos que já atuam em Itabuna nunca se preocuparam em oferecer um serviço de qualidade. Visam tão somente o lucro, nunca aplicado em prol de nossa cidade, servindo apenas para encher os cofres das matrizes, que se encontram em outros estados da federação. Convivemos com uma frota sucateada, com veículos lotados e sem segurança, com os rodoviários sendo superexplorados, com atraso e falta de informação em relação aos horários das rotas, não atendendo os usuários de forma digna, especialmente aqueles com deficiências especiais. Em determinados dias e horários a frota é reduzida em 40%, prejudicando ainda mais quem depende do transporte público. Para se ter uma ideia, Itabuna não possui um ônibus sequer com ar condicionado, ao contrário da vizinha Ilhéus. 

A população de Itabuna não pode ficar refém da ganância dos donos das empresas. O aumento da tarifa só pode ser admitido se acompanhado do compromisso em se oferecer serviços de qualidade, visando o conforto e o bem estar da população. É necessário que a sociedade fiscalize e faça o controle social das concessões (que atualmente têm duração de dez anos) e cujos contratos vencem em 2014. 

Por isso, a CTB Regional Sula Bahia e sindicatos filiados exigem o controle social sob a concessão pública, a renovação da frota, oferecendo serviços que contemplem a acessibilidade e o conforto dos usuários, que todos os ônibus possuam cobradores e que as licitações sejam feitas de forma transparente.

CTB REGIONAL SUL BAHIA E SINDICATOS FILIADOS

terça-feira, 11 de junho de 2013

CTB realiza Congresso Estadual


Nos próximos dias 14 e 15 de junho de 2013, o Centro de Convenções da Bahia, em Salvador, receberá, mais uma vez, sindicalistas classistas de todo o estado para participarem do III Encontro Estadual da CTB-Bahia, Central dosTrabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. São esperados em Salvador, neste terceiro Congresso, cerca de setecentos delegados e delegadas, representando cerca de trezentos sindicatos filiados. Para o 3º Congresso Nacional da CTB, de 22 a 24 de agosto, em São Paulo, a Bahia contribuirá com mais de 300 participantes, será a maior delegação do País.
 Na pauta, o debate sobre as teses ao Congresso Nacional, discussão da conjuntura nacional e estadual, plano de lutas, estruturação e organização da CTB e eleição da nova Direção Estadual.

CONHEÇA A PROGRAMAÇÃO III CONGRESSO
DIA 14/06/2013 – SEXTA FEIRA
08h Credenciamento
09h - Ato Político de Abertura Apresentação do Hino Nacional e Hino ao 2 de Julho
10h – Leitura e aprovação do regimento interno
 13h – Intervalo para o almoço
14h30 - Avançar nas Mudanças com Valorização do Trabalho - (Texto Base do Congresso da CTB) Humberto Martins – Jornalista e Assessor da CTB Nacional
15h30 - Apresentação do Vídeo: CTB Bahia - Democrática, Classista e de luta
15h30 - Debate
16h30 - Intervenção Especial: A luta no Campo
17h30 - Intervenção Especial: Por uma Lei da Mídia Democrática
18h - Encerramento DIA 15/06/2013 – SÁBADO
09h – Balanço da CTB-Bahia
09h30 - Intervenção Especial: Educação e Desenvolvimento
10h – Intervenção Especial: - Em defesa da Unicidade e do Fortalecimento das Entidades Sindicais Pascoal Carneiro – Secretaria Geral da CTB Nacional • 12h30 - Intervalo para o almoço
14h - Reforma Estatutária
14h30 - Eleição da Direção Estadual da CTB
15h0 - Eleição dos Delegados ao Congresso da CTB Nacional 16h0 - Encerramento

ATENÇÃO SERVIDORES!


O Sindserv convoca os servidores municipais de Itabuna a comparecerem na sede de nossa entidade para que seja solicitada a individualização do FGTS pela via judicial. É preciso levar os seguintes documentos:
1) Cópias dos três últimos contracheques;
2) Cópias do RG e CPF;
3) Cópia do comprovante de residência;
4) Cópia da carteira de trabalho (pagina da foto, verso da página da foto e onde consta o contrato de trabalho assinado pela prefeitura;
5) Extrato analítico, que deve ser retirado na Caixa Econômica Federal, mediante apresentação da carteira de trabalho.

NOTA DE PESAR



Foi com extremo pesar que o Sindserv recebeu a notícia do falecimento de Antônio José dos Santos, pai de Emerson José dos Santos, nosso companheiro, servidor de apoio na educação. O corpo de Antônio José está sendo velado no Velório Santa Fé, próximo ao Cemitério Campo Santo. O enterro será realizado amanhã, às 15 horas. Neste momento de dor, a Direção do Sindserv deixa seu abraço fraterno a Emerson e familiares.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

PROFESSORES


Após 15 dias de greve, professores municipais e governo chegaram a um acordo na tarde desta segunda-feira (10). Pelo acerto, o reajuste será dividido em 3 vezes: os professores recebem agora reajuste de 5,57% (o retroativo será pago em duas vezes); 2,22% em outubro e; 2,21% em novembro.­ 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

CTB entra na luta pela correção do FGTS dos últimos 14 anos


Ao longo da próxima semana, a CTB nacional irá enviar para suas seções estaduais a orientação jurídica necessária para que seus sindicatos cobrem na Justiça as defasagens na correção monetária nas contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A ideia é tentar a revisão das contas desde o ano de 1999. 

Levantamento realizado pela Força Sindical mostra que os trabalhadores perderam, desde 1999, cerca de 88% do dinheiro que lhes era de direito no FGTS, por conta de um erro do governo federal no cálculo da fórmula de correção do saldo do fundo. O prejuízo chegaria mais de R$ 310 bilhões.

Atualmente, as correções são feitas conforme determina o artigo 2º da lei 8.036/90. São aplicados juros anuais de 3% mais correção monetária mensal com base na TR (Taxa Referencial). Como o governo vem  reduzindo aos poucos a correção da TR (até chegar a zero em setembro do ano passado), o reajuste das contas do Fundo também diminuiu.

Para o presidente da CTB, Wagner Gomes, cabe às centrais sindicais orientarem seus sindicatos a respeito dessa questão, com o propósito de se criar e fortalecer uma grande ação judicial coletiva. “A ideia é questionar o cálculo do governo e cobrar essa defasagem que já dura 14 anos”, afirmou o dirigente.

Portal CTB